MBA? Especialização? Mestrado Acadêmico ou Profissional? Veja como escolher o melhor curso de pós-graduação para você

Li essa matéria na Revista Voce/SA e gostei bastante. Acredito que muitos graduandos possuem essas dúvidas e por essa razão compartilho a matéria aqui no BLOG.

Boa Leitura!

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Plano de estudo
Ao longo de sua carreira, um profissional terá de voltar várias vezes à sala de aula para manter-se competitivo e atualizado. Por isso, é preciso pensar numa estratégia de educação continuada

Aexigência de atualização no mercado de trabalho talvez nunca tenha sido tão grande. O conhecimento é necessário tanto para o profissional manter um bom desempenho em seu emprego atual quanto para preparar-se adequadamente para os próximos passos da carreira, sejam eles dentro da mesma empresa, para mudar de carreira, ou até mesmo para empreender.

A boa notícia é que, do ponto de vista das opções, o mercado de educação executiva nunca foi tão farto. Há desde os cursos rápidos, de uma semana, até mestrados profissionais, que asseguram titulação acadêmica.

O problema é que escolher entre tanta variedade também não é tarefa simples. Exige do profissional planejamento para definir uma estratégia de educação: não basta pensar em um curso, mas em qual curso será mais adequado para aquele momento de carreira.

Afinal, durante uma trajetória profissional será cada vez mais comum recorrer ao estudo formal repetidas vezes em busca de reciclagem ou de aquisição de conhecimentos complementares à experiência profissional.

“A educação sempre foi, e deve ser permanentemente, um processo continuado”, diz José Luiz Trinta, coordenador-geral dos programas continuados do Ibmec, que compara a profissão de executivo à de médico: sem atualização, o profissional fica parado no tempo.

José Luiz reconhece que as trajetórias de carreira são mais heterodoxas hoje em dia, o que complica a definição de uma estratégia de estudos. “A escolha de um curso, como MBA, de curta duração ou os oferecidos pelas empresas, passa pela definição de carreira”, diz ele.

O aumento no número de pós-graduados no Brasil mostra que a preocupação com os estudos após a entrada no mercado de trabalho tem aumentado entre os brasileiros. O dado mais recente da Pesquisa Nacional por Amostragem de Domicílio (Pnad), de 2009, mostra que 580 000 pessoas tinham completado cursos de pós-graduação naquele ano, em comparação com 320 000 em 2002, um aumento de 81%.

A pesquisa, que considera todos os tipos de pós, da especialização ao doutorado, aponta que havia 326 000 pessoas fazendo pós-graduação no Brasil em 2009. No entanto, escolher o que fazer ainda é uma tarefa difícil para profissionais brasileiros. “A busca por conhecimento e networking aumentou”, diz Karla Alcides, diretora do MBA Executivo da Universidade de Pittsburgh na América do Sul. “O lado negativo é que as pessoas ainda não têm claro em que momento estudar, qual escola e qual curso fazer.”

Educação Permanente
Desde que concluiu a graduação em administração de empresas, Tiago Ávila Fernandes, de 29 anos, diretor de contas do Ipsos, firma de pesquisas, de São Paulo, vem buscando se manter atualizado em paralelo ao trabalho. Logo após se formar, fez uma especialização de 500 horas na Fundação getulio vargas de são Paulo. No final do curso, teve a oportunidade de passar seis meses na Universidade Pepperdine, na Califórnia, como parte do programa.

Nesse momento, resolveu alterar seus planos de entrar num MBa logo na sequência. “Decidi que só faria uma pós se fosse no exterior”, diz Tiago. Na volta ao trabalho, avançou na carreira, trocando de emprego e chegando a diretor ainda antes de completar 30 anos. Hoje não acredita que um programa de MBa no exterior seja opção para ele tanto por causa do tempo quanto do investimento necessário.

“Em quanto tempo eu recupero um investimento de mais de 250 000 reais?”, questiona. “Acho que a experiência não tem preço, mas preciso calcular também o risco de me afastar por dois anos do mercado”, acrescenta. em seus planos atuais, a estratégia é iniciar um mestrado acadêmico, no Brasil, em dois anos.

Como Escolher
Para quem deseja seguir uma carreira gerencial, o professor Mário Pinto, diretor adjunto da FGV Management, do Rio de Janeiro, identifica três fases profissionais, para as quais existem ofertas específicas. Para profissionais jovens, em início de carreira, que estão se dedicando a dominar uma área específica da corporação, mas têm em vista crescer e ocupar um posto de gestor, o indicado é a especialização. “Esse tipo de pós é indicado para profissionais que têm baixa experiência e desejam adquirir um conhecimento mais amplo da atividade que exercem”, diz Mário.

A característica do conteúdo trabalhado na especialização é a do aprofundamento de um conhecimento iniciado na graduação. “Nessa etapa, o aluno ainda está numa posição de aprender com os professores, já que a experiência dele ainda é baixa”, diz Mário. O segundo estágio numa trajetória que visa ao estabelecimento de uma carreira gerencial é o Master in Business Administration (MBA), programa voltado para quem já tem algum conhecimento de gestão.

Nesse estágio, o aluno já deve ser capaz de buscar a troca — rebater os professores, acrescentar pontos de vista nos diálogos com colegas de curso e formar laços que extrapolem a própria duração do programa. O MBA, especialmente quando feito numa instituição de ponta, deve assegurar ao profissional um tipo de conhecimento que ele carregará durante toda a vida.

“O bom MBA ensina uma maneira de pensar, de analisar cenários e tomar decisões”, diz John Schulz, diretor da Brazilian Business School (BBS), que tem sede em São Paulo. “Esse conhecimento não se perderá, o que não vai eliminar a necessidade de aquisição de conhecimentos específicos ao longo da carreira.” Após a conclusão do MBA, quando o profissional já se encontra numa fase madura da carreira, a educação deve seguir por outros caminhos.

Existem no Brasil programas de pós-MBA voltados para o aprimoramento da capacidade gerencial, mas, em geral, a educação de um executivo nesse estágio é complementada por meio de cursos pontuais sobre assuntos específicos, em que os participantes consigam debater em alto nível. Cursos de curta duração, aliás, podem ser necessários durante toda a carreira, nas situações em que apenas noções básicas de algum tema são suficientes para proporcionar atualização.Os cursos rápidos também resolvem questões técnicas específicas, como obter determinada certificação numa determinada atividade.

Mudança de valor
Se antes o MBA era garantia de uma carreira de sucesso, hoje o cenário é mais complexo. Segundo uma pesquisa de 2010 do Datafolha, o impacto da pós-graduação, em especial o MBA, em termos de aumento salarial, diminuiu nos últimos anos. Ao concluir um MBA, um profissional teve reajuste médio de 18,5% em 2010. Um dado positivo, mas bastante inferior à média de 41,8% de aumento, registrada em 2007. Fenômeno semelhante acontece nas promoções, ainda que em queda mais amena: 44% dos entrevistados que concluíram MBA em 2010 foram promovidos, ante 59% em 2007.

Hoje, o curso deve ser entendido como uma qualificação profissional, importante a partir de determinado estágio. “O MBA era realmente muito valorizado 15 anos atrás. Quem tinha era disputado a tapa no mercado e em pouco tempo estava no topo”, resume Ney Silva, diretor de rh da Natura. “Hoje, é muito mais comum. As organizações estão avaliando mais o desempenho do profissional do que a titulação em si.”

Opção acadêmica


Quando se formou em economia, em 2003, Fabio Maciel Ramos, de 31 anos, economista sênior da Quest investimentos, de São Paulo, tinha planos de fazer um mestrado acadêmico e seguir carreira na universidade. Mas ingressou no mercado de trabalho e a vida corporativa corrida foi fazendo com que adiasse a meta inicial. No mestrado profissional, Fabio encontrou um meio-termo entre a carreira acadêmica e a executiva.

“Eu tinha preconceito antes de conhecer a modalidade, mas vi, na prática, que o ensino assemelha-se ao mestrado acadêmico convencional e a dissertação final tem banca e todo o rigor necessário”, diz Fabio.

Um caminho alternativo de carreira são os mestrados, tanto o acadêmico quanto o profissional. Eles atendem o público que deseja desenvolver, em paralelo à vida dentro da organização, o início da formação acadêmica que produza uma segunda carreira. Nos últimos anos, tem crescido entre executivos principalmente a modalidade do mestrado profissional, voltado para o estudo e a solução de problemas reais do mundo corporativo.

Como na opção acadêmica, o mestrado profissional exige dissertação final, mas permite ao mestrando manter suas atividades profissionais. Essa categoria é a que mais cresceu nos últimos anos — de 2005 a 2010, o aumento de cursos oferecidos foi de 150%. O número de matriculados é hoje superior a 10 000 estudantes, cerca de 10% dos mestrandos brasileiros.

“Em áreas técnicas que precisam de pesquisa, no setor econômico de um banco ou em consultoria, por exemplo, a resposta ao mestrado profissional é muito positiva”, afirma Lucas Peschke, gerente da área de expertise da Hays Accountancy & Finance. Outro ponto positivo para o mestrado profissional em relação ao MBA está nas avaliações regulares feitas pelo governo, que pode descredenciar cursos que perderam docentes ou tiveram piora na qualidade. A avaliação oficial é mais uma garantia da qualidade do curso.

O planejamento de educação vai, no fundo, depender de como a trajetória de carreira da pessoa se desenrola. Por causa disso, merece revisão constante diante de mudanças de rumo e oportunidades de trabalho que surgem. “Cada profissional terá de traçar seu próprio caminho, e por isso é difícil falar sobre um planejamento muito antecipado ou que seja comum a todos”, diz John, da BBS. Proibido mesmo é ficar parado.

Se faz tempo que você não é promovido, a falta de um investimento em educação só aumentará a estagnação na carreira. “Ficar um tempo sem estudar é aceitável, mas o currículo de um profissional que parou de estudar há oito anos causa desconfiança. A educação tem de ser um processo constante”, diz Renata Filippi, sócia- diretora da Mariaca, empresa de recolocação e busca de executivos, de São Paulo. O que o profissional não pode perder de vista são seus objetivos de carreira.

A escolha da educação executiva deve dar apoio e continuidade a essas metas. “Um equívoco comum é o profissional ingressar em determinado curso porque gosta do tema”, diz Mário, da FGV. “O certo é o curso combinar com o planejamento estratégico de carreira do profissional.” Outro ponto importante é optar por um curso que ajude o profissional a contribuir mais efetivamente para o negócio no qual trabalha. Se a modalidade de educação escolhida não traz benefício para a organização, diminuem as chances de se impulsionar a carreira por meio das novidades que são aprendidas em sala de aula.

Por isso, antes de se matricular, estude, converse com muita gente e pesquise bem as opções disponíveis para você. Um curso pode custar mais que um carro de luxo e é preciso estar certo de que ele o levará aonde você pretende chegar.

Entenda as diferenças entre os cursos

Curta e Média duração { de 30 horas até 160 horas }
Opções de curta e média duração são indicadas para uma rápida atualização ou aprofundamento em assunto específico. Variam de temas tradicionais, como liderança, para coisas fora da caixa, como teatro para executivos. é um dos segmentos que mais crescem na educação para graduados, especialmente pelo patrocínio das empresas que definem e criam com as universidades os cursos nos temas de que precisam.

Especialização e extensão { mínimo de 360 horas }
Importantes para o aprofundamento em um tema, as especializações podem garantir uma visão mais profunda de uma área corporativa e uma compreensão melhor do negócio. esses cursos devem ser entendidos como uma extensão da graduação e são voltados para quem tem pouca ou nenhuma experiência de gestão. Cursos de “MBa em alguma coisa” normalmente são uma especialização.

Mestrado profissional { de 400 a 750 horas }
Opção de educação executiva que mais cresce, o mestrado profissional é indicado para profissionais que atuam em áreas que exijam pesquisa. as diferenças fundamentais para o mestrado acadêmico estão no direcionamento da dissertação, na carga horária menor e no fato de ele ser pago mesmo em universidades públicas. ainda assim, o trabalho final é uma dissertação que precisa ser defendida perante uma banca.

MBA executivo { mínimo de 480 horas }
No Brasil, são os cursos com carga horária suficiente para desenvolver discussões em administração próximas aos modelos tradicionais de MBa fora do país. no exterior, recebem o nome de executive MBa ou part-time MBa. têm como base o estudo de casos (com ativa participação dos estudantes) e devem prover capacidade analítica ao estudante.

MBA internaCional (a partir do Brasil ou fora do Brasil)
{ de 500 a 900 horas }

Há a modalidade part-time, semelhante ao MBa executivo brasileiro, que permite ao aluno estudar à distância do Brasil e viajar periodicamente para aulas presenciais. Há também o full-time MBa, que chega a 900 horas em dois anos (ou seja, longe do emprego) — uma opção em que a média de idade costuma ser inferior à dos MBas part-time. Cursos no exterior custam mais caro, mas dão mais retorno para a carreira.

#MBA Executivo
Para estar entre os melhores
Não existe atalho para o topo: MBA executivo bom tem de ser difícil de entrar e de sair

No brasil, o Mba executivo é o programa que mais se aproxima dos cursos de Mba existentes no exterior. ele tem por objetivo formar, com uma visão generalista, os principais líderes de uma empresa. O curso é destinado a profissionais que já tem bagagem gerencial, normalmente acima dos 30 anos, que estejam em busca de troca de experiências, reforço de determinadas habilidades gerenciais e atualização das melhores práticas do mercado.

Hoje, com o dólar em um nível abaixo de 2 reais, os melhores cursos oferecidos no país disputam os melhores executivos brasileiros com programas europeus e americanos. escolas de negócios de países como China e rússia também começam timidamente a atrair profissionais brasileiros, principalmente os que estão em busca de uma experiência diferente. “Quem estuda fora terá vantagem no futuro, mas não são todos que têm condições.

O melhor negócio para um gestor brasileiro é fazer um Mba part time numa escola de ponta”, diz John Schulz, presidente da bbS business School, de São Paulo. O certificado emitido por uma escola de renome internacional tem muito mais peso no currículo do que um similar brasileiro — e o investimento também é consideravelmente maior. a grande verdade é que os cursos top internacionais ainda ganham em termos de qualidade dos concorrentes nacionais.

Porém, há vantagens do Mba executivo brasileiro sobre os programas internacionais: além do preço, aqui ele é mais rápido e o aluno conta com a possibilidade de não interromper temporariamente a carreira para dedicar-se aos estudos, algo que muitas escolas estrangeiras exigem. Mesmo nos cursos que não demandam dedicação integral e em que é possível conciliar o trabalho com viagens periódicas ao exterior, fazer um MBA Executivo no Brasil é interessante por vários motivos, seja em termos de deslocamento, seja pela complementação no currículo.

“No fundo, o MBA se transformou em um pré-requisito [para posições de liderança] nas empresas. Ele não faz você ganhar a competição, mas possibilita entrar nela com chances”, diz Armando Dal Coletto, diretor acadêmico da Business School São Paulo (BSP). Mesmo entre os melhores MBAs Executivos brasileiros é comum encontrar queixas de alunos quanto a sua qualidade. Por isso, para o profissional, a escolha de um programa deve ser baseada na excelência.

Afinal, o candidato vai pagar caro e precisa ter retorno. A primeira coisa a fazer é pesquisar. Vá até as principais instituições interessadas, marque reuniões para conhecer os programas.

A escola tem a obrigação de fornecer informações sobre qualidade dos professores, conteúdo das aulas, perfil e qualificação geral dos alunos de turmas anteriores. Nas parcerias com instituições de ensino internacionais, o curso nacional deve explicar como o aluno pode ter acesso a elas e quanto isso irá custar a mais.

Uma forma de fazer um bom negócio é verificar se a instituição pertence à Associação Nacional de MBA (Anamba), entidade que reúne algumas das principais escolas de negócios do Brasil e visa estabelecer padrões mínimos de qualidade para os cursos.

Entre as exigências da Anamba, que devem servir de referência, está a de que o curso seja de administração e tenha carga horária mínima de 480 horas/aula, sendo 75% do tempo destinado a uma lista de 13 disciplinas técnicas, que incluem temas como ética, sustentabilidade, finanças, economia e marketing.

Outro critério fundamental é verificar se o programa de MBA brasileiro possui acreditação internacional de entidades como AACSB (Estados Unidos), Equis-EFMD (Bélgica) e Amba (Reino Unido), que têm um trabalho rigoroso de avaliação dos programas. “É um diferencial porque, para ser acreditado, o curso tem de atender a uma série de critérios rígidos e é preciso investir muito em qualidade para conquistá-los”, diz Maria Tereza Fleury, diretora da Escola de Administração de São Paulo da Fundação Getulio Vargas (Eaesp-FGV), que tem dois cursos acreditados.
De especialista a gestor
Formada em medicina, Marisa Sanvito, de 48 anos, é diretora executiva de operações da Quintiles, múlti farmacêutica, em São Paulo. Resolveu investir num MBA Executivo porque percebeu que havia espaço nas empresas para médicos com conhecimento em gestão. Em 2008 ela concluiu o curso da Fundação Dom Cabral, em Minas Gerais. “Não tive aumento de salário nem promoção; não era minha preocupação.

Meu objetivo era ter a possibilidade de crescimento em gestão, e isso aconteceu”, diz Marisa. Tão importante quanto o conteúdo e a certificação é entender como ocorre a seleção de candidatos para o curso.

Para ser aprovado, o profissional deve passar por testes de habilidades lógicas, conhecimento de mercado, inglês e análise da experiência profissional. Podem haver outros critérios de filtro, com o objetivo de formar turmas coesas. O Insper, de São Paulo, por exemplo, exige também adesão a um código de ética da escola e experiência mínima de cinco anos como gestor.

Além disso, o aluno deverá passar por uma entrevista de admissão e ter o nome aprovado por um comitê. Em outras palavras: um programa de MBA Executivo bom deve ser difícil de entrar e difícil de sair. Optar por caminhos mais fáceis pode ser o barato que sai caro no final.O profissional corre o risco de pagar muito e ter pouco retorno tanto em aprendizado quanto em reconhecimento do mercado.

#Especializações


Início de caminho
A especialização é a porta de entrada na educação executiva para quem ainda não é gestor e precisa aprofundar conhecimentos

Um dos maiores erros dos profissionais que se candidatam a um MBA é entrar cedo demais no curso, sem ter experiência gerencial necessária para aproveitar adequadamente as aulas. As especializações são uma opção para quem está abaixo dos 30 anos e deseja aperfeiçoar-se em alguma área, e preparar-se para ascender a uma gerência. Foi pensando em não queimar etapas que André Calazans, de 29 anos, gerente de subscrição na Zurich Seguradora, de São Paulo, descartou fazer MBA logo após estar formado em ciências atuariais.

Em vez disso, optou por uma pós-graduação em gestão de negócios no insper, em São paulo, um curso de 390 horas. “Fiz uma graduação técnica e precisava de visão de negócios para crescer, mas não estava pronto para o mBa, pois faltava bagagem profissional”, diz andré. Na sequência, ele fez uma especialização em gestão dentro da companhia em que trabalhava. Ainda assim, não via um mBa Executivo como opção de estudo. “Vejo pelos diretores que conheço que o trabalho e a prática são fundamentais para esse tipo de curso”, diz André.

Não é MBA
A decisão de André de optar pela especialização e adiar o MBA ilustra o que é visto como uma boa prática no mercado. “A especialização acrescenta se for feita logo depois da graduação, momento que claramente não é o mais adequado para ingressar no MBA”, diz Ney Silva, diretor de RH da Natura. “Nessa hora, complementar a formação com cursos mais aprofundados, mantendo em vista seu plano de carreira, é uma decisão muito mais inteligente do que correr atrás de uma marca.”

A especialização é um curso lato sensu, de 360 horas. Embora existam cursos generalistas, numa especialização o que vale é o aprofundamento em algum tema específico, como Ti ou RH, que proporcionará ao profissional uma visão básica da gestão em sua área de atuação. Vale lembrar que há muitas universidades que chamam de mBa cursos com tema específico e duração de 360 horas, como banco de dados ou controladoria, que são simples especializações com algum conteúdo de administração.

Trata-se de uma confusão de nomenclaturas do mercado brasileiro de educação executiva. Cursos especializados e abaixo de 480 horas não terão no currículo o peso de um MBA. “Diferentes tipos de pessoas precisam, e querem, diferentes tipos de educação. O mais importante é pensar muito no que se quer aprender e escolher o tipo de curso que ajude mais nesse aprendizado”, aconselha Martha Maznevski, diretora do programa de MBA do IMD, escola internacional que oferece especializações e mBa no Brasil.

Uma alternativa para quem não deseja ou não tem tempo de investir em uma especialização é optar por um curso de curta duração. Embora não tenha o peso de uma pós no currículo, os aprendizados breves oferecem uma relação franca com o consumidor: apenas um conhecimento pontual está em jogo, e o aluno não tem a sensação de desperdiçar seu tempo com uma disciplina que lhe trará pouco retorno.

A única ressalva: esses programas devem ser encarados como complementares à graduação, e nunca como o principal apoio da carreira. “Cursos de curta e média duração devem ser feitos ao longo da carreira, mas não são substitutos de MBA, especialização ou mestrado profissional. São complementares”, diz Mauricio Jucá de Queiroz, da Fundação Instituto de Administração (FIA). Além de complemento, o curso de curta duração pode ser uma forma de experimentar o conhecimento numa nova área, tendo em vista a mudança de rumo na carreira, como fez José Luiz Weiss, diretor de recursos humanos da Syngenta, fabricante de defensivos agrícolas.

Formado em engenharia de mineração e com mestrado em engenharia ambiental, ambos pela Universidade de Berkeley, na Califórnia, ele optou pela curta duração quando passou a se interessar pelo RH. “Fiz uma série de cursos de curta duração para entender mais da área e, com isso, pude planejar meu desenvolvimento”, diz o executivo.

Como escolher a melhor opção?
Veja as dicas de cássio miranda, especialista no mercado de pós-graduação no brasil

1 Especializar ou expandir. Se o profissional pretende focar numa determinada área, deve fazer uma pós complementar à sua graduação. Isso permite que ele se especialize num determinado assunto. Por exemplo: um graduado em engenharia faz pós em logística. Expandir a formação é o contrário: obter conhecimento em uma área diferente, para que dois conhecimentos combinados gerem uma vantagem competitiva para o profissional. Por exemplo: um graduado em administração que faz pós em Ti.

2 Avaliar a relação custo-benefício. Os cursos mais baratos são, normalmente, aqueles que têm um corpo docente menos qualificado, menor prestígio no mercado ou piores condições de infraestrutura. Preço, contudo, não indica necessariamente baixa qualidade. Diversos cursos de pós, sobretudo em universidades públicas, conseguem oferecer mensalidades razoáveis sem deixar cair o nível.

3 Analisar o mercado de trabalho. A escolha da pós-graduação é feita sobre um planejamento de carreira. É preciso, antes de se matricular, escolher uma especialização que dê perspectiva de evolução dentro do emprego atual ou fortaleça a empregabilidade do profissional. Ser um especialista em uma área desvalorizada não é grande vantagem. O jeito é analisar o mercado para perceber quais especializações têm maior demanda.

Quando preferir a especialização

{ Aprofundamento }
As especializações são importantes para trazer conhecimento aprofundado que o profissional não tem. Se a graduação foi técnica, o melhor caminho é apostar em uma especialização mais geral, como em gestão, por exemplo. Se a graduação foi generalista, o profissional deve buscar uma especialização que abra um caminho dentro da empresa, como controladoria.

{ Momento na carreira } Por não exigir experiência no mercado de trabalho, as especializações trazem benefícios para qualquer tipo de profissional, seja alguém recém-saído da graduação, seja alguém com mais experiência.

{ Novos ares } As especializações podem ajudar um profissional que quer atuar em uma nova área próxima ao tema da sua graduação. Não há garantia de que o curso vá trazer o cargo dos sonhos na área preferida, no entanto, ele pode ajudar nisso.

{ Networking especializado } Uma pós-graduação em tema específico oferece uma grande quantidade de profissionais interessados naquela determinada área, o que pode ser fundamental para quem quer entrar no setor.

{ Nível de exigência } Se o profissional mal estiver dando conta de seu emprego, pensar em cursos de maior duração não é a melhor escolha. A demanda por dedicação na pós-graduação tende a ser menor do que nas opções de carga horária maior, mas, como há exceções, é bom conversar com ex-alunos.

Quais as principais características que boas pós-graduações (de 360 horas) têm de ter?

>> Vínculo formal com uma instituição com credibilidade. Nesse sentido, as pós que funcionam em importantes universidades ou em faculdades prestigiadas (em suas áreas específicas) saem na frente.

>> Um corpo docente bem titulado (um percentual de mestres e doutores além dos 50% exigidos pela legislação).

>> Um corpo docente com experiência na área do curso e com publicações relevantes (a consulta a isso pode ser feita na Plataforma Lattes).

>> Egressos (ex-alunos) com destaque no mercado de trabalho da área.

>> Infraestrutura de qualidade: biblioteca atualizada, salas de aula com recursos audiovisuais atualizados.

#Escolas Estrangeiras
De fora para dentro
Um MBA no exterior faz diferença no currículo, porém, é para poucos. Mas existem alternativas para ganhar experiência internacional

Os MBAs internacionais são a experiência de educação mais cobiçada (e cara) no mercado de educação executiva. O diploma de uma escola de negócios de renome mundial vai chamar a atenção em qualquer currículo. Além disso, o curso lá fora indica que a pessoa tem formação sólida e aponta para uma experiência internacional expressiva. Mas chegar lá é complicado. Primeiro, o processo de seleção das universidades é bastante duro.

Normalmente, há a exigência de comprovação de fluência em idioma estrangeiro (Toefl ou Ielts, para inglês, e Dele, para espanhol)e uma prova de conhecimentos de administração, sendo o GMAT a mais famosa delas. O profissional também precisa enviar uma série de documentos: cartas de recomendação, currículo e ensaios contando suas experiências. Todo esse material deve ser preparado com antecedência e revisado cuidadosamente, já que define as chances de aprovação.

Estudar fora custa caro. O preço dos cursos varia muito de escola para escola, sendo que os mais caros podem chegar a 60 000 dólares por ano. Somadas hospedagem e alimentação, os valores podem facilmente dobrar. Há opções de bolsas de estudo para quem não tem condições financeiras. No entanto, há exigências e requer planejamento ainda mais antecipado, de até um ano.

Entre as principais entidades que concedem bolsas a brasileiros estão o Consulado Britânico, a Fundación Carolina, o Instituto Ling e a Fundação Estudar. Existem opções de financiamento em bancos vinculados às escolas, mas fique atento aos juros. O engenheiro Gustavo Queiroz, de 34 anos, executivo da Flora, empresa do grupo JBS-Friboi, está prestes a concluir o Executive MBA de 960 horas na americana Kellogg School of Management.

Ele optou por uma modalidade part time, na qual as aulas ocorrem durante uma semana a cada mês, o que o faz viajar com essa frequência para os Estados unidos. além disso, ele tem teleconferências semanais sobre o curso, trabalhos acadêmicos constantes e a exigência de leitura de dois a três livros por bimestre. “Queria estudar, mas não tinha como ficar parado por dois anos”, diz. O curso custa cerca de 350 000 reais, que ele paga integralmente.

Cada vez mais as escolas brasileiras têm oferecido módulos internacionais em seu programa, principalmente no MBA Executivo. Num tipo de oferta, parte do curso, que pode variar de uma semana até meses, é realizada em instituições estrangeiras. Em outra modalidade, o aluno pode fazer um programa extra no exterior após a conclusão do MBA. A Coppead, do Rio de Janeiro, por exemplo, oferece para profissionais recém-saídos do MBA Executivo um dual degree, que consiste em um curso de seis semanas com projeto final a ser defendido em uma das três instituições francesas — audencia-Nantes, Reims ou Rouen- BS — e o certificado international MBa da escola escolhida.

Também há cursos organizados conjuntamente por escolas internacionais, como o oneMBa, da Fundação getulio vargas de São Paulo, que é ministrado em parceria com escolas da Holanda, da China, dos Estados unidos e do México. O curso é oferecido totalmente em inglês e tem quatro encontros com todos os alunos das escolas parceiras. Mas o custo é alto: 120 000 reais com tudo incluído.

Além disso, há opções de instituições estrangeiras que têm operações no Brasil, como as europeias Iese e IE, e a americana universidade de Pittsburgh. Algumas delas fazem a ponte para cursos no exterior e outras dão a opção de fazer parte do curso localmente. A principal vantagem desse modelo está em ter uma marca de universidade estrangeira no currículo sem precisar sair do país nem arcar com custos de hospedagem e habitação.

O Iese acaba de lançar um MBa em São Paulo de 700 horas com cinco semanas intensivas (o que significa dedicação de segunda a sexta): três em São Paulo, uma semana em Barcelona, na Espanha, na sede do Iese, e outra no campus de Nova York. Já a universidade de Pittsburgh oferece MBa em São Paulo ministrado simultaneamente com o mesmo conteúdo e corpo docente em Pittsburgh, nos Estados unidos, e Praga, na República Tcheca.Com duração de 16 meses, o curso oferece reuniões nas cidades em que ele é realizado três vezes por ano com todos os alunos e custa 85 500 reais.

#Empreendedorismo
Executivo ou empreendedor?
A Pós tem sido mais procurada por empresários interessados em adquirir conhecimento para fazer a nova empresa prosperar

Ao menos na teoria, o profissional que investe em educação executiva está interessado em fazer carreira dentro de uma companhia, tendo como objetivo ocupar um cargo de liderança. No entanto, professores e educadores entrevistados para este especial apontam que há um crescimento sensível no número de alunos que usam o MBA como ponte para abrir a própria empresa.

Por cansaço da vida corporativa ou pressa de construir uma outra opção de carreira, são inúmeros os casos de quem resolveu empreender durante ou depois de concluir a pós-graduação. A avaliação dos especialistas é de que isso tem ocorrido por causa do bom momento da economia brasileira, que permite às pessoas acumular capital para investir em um negócio próprio.

Profissionais com perfil para empreender recorrem ao MBA a fim de adquirir conhecimento em gestão. “Esse fenômeno ocorre também na Europa, onde as escolas de negócios estão sendo importantes no desenvolvimento de novas empresas”, diz Kleber Figueiredo, diretor da Coppead, instituto de pós-graduação e pesquisa em administração da Universidade Federal do Rio de Janeiro. A formação ajuda o empreendedor a fazer o negócio prosperar e a superar os primeiros anos, normalmente os mais complicados.

Outro movimento comum é o de executivos que têm um pequeno negócio como plano B e, após o MBA, partem para o empreendedorismo. “É frequente ver alunos seguindo temporariamente na carreira corporativa pela segurança para depois abrir empresa com a esposa ou com um parente”, diz Alexandre Weiler, responsável pelos cursos de pós-graduação da paranaense Esic. “O curso serve como o incentivo que faltava para a pessoa criar um negócio.”

Há cursos de pós-graduação específicos para empreendedorismo. O que especialistas ressaltam é que essas alternativas nem sempre têm as vantagens do networking que o MBA proporciona, já que os colegas podem se tornar fornecedores ou clientes no futuro.

Dirigente na escola
O engenheiro Fernando De La Riva, de 35 anos, dono da Concrete Solutions, empresa de software do Rio de Janeiro, é um empreendedor com dois MBAs na carreira. Fez o primeiro — o mBa Executivo da Coppead — quando vendeu seu primeiro negócio para a Telefônica e tornou-se executivo da empresa. Quando deixou a operadora para empreender de novo, optou pela realização de MBA em tempo integral na Columbia Business school, em nova York, Estados Unidos.”A formação traz muitos conhecimentos que são fundamentais para a minha atuação hoje na própria empresa”, diz Fernando.

#Crise
MBA sob pressão
As principais escolas do mundo modificam programas em busca de conexão com o mercado. No Brasil, o movimento é tímido

Em janeiro deste ano a americana Harvard Business School, uma das escolas de negócios mais famosas do mundo, anunciou que está reformulando sua metodologia de ensino. Além do sistema de estudos de caso, que teve origem por lá e foi replicado mundo afora, Harvard dará mais atenção aos trabalhos em pequenos grupos e às experiências práticas. O diretor acadêmico da escola, Nitin Nohria, resumiu no comunicado os objetivos da mudança: “Desenvolver líderes que façam a diferença no mundo”.

Outras escolas conceituadas, como a também americana Wharton, reformularam o currículo de seu MBA no último ano. “Os dez melhores MBAs do mundo estão revendo sua metodologia e migrando para estudo de caso aplicado, tentando chegar até o ambiente de trabalho do executivo e implementando melhoria na própria empresa, mas isso quase não chegou ao Brasil”, diz Otavio Moraes, diretor do Cedepe, escola de negócios com sede em Recife, Pernambuco.

Parte dessa mudança deve-se ao fato de que os MBAs passam por um período de inflexão e precisam se reinventar. A crise financeira internacional de 2008, que ainda provoca reflexos nos países ricos, teve repercussões negativas nas escolas de negócios. Afinal, foi nelas que se formaram os líderes de companhias que sucumbiram na crise, por problemas de gestão e até de ética, disciplinas essenciais dos MBAs.

O desempenho dos executivos no período difícil acendeu uma luz vermelha nas escolas: se esses líderes são despreparados, uma parcela da culpa é das escolas. Por enquanto, as mudanças globais surtiram pouco efeito aqui, apesar de os cursos brasileiros seguirem os conteúdos consagrados internacionalmente. “Os melhores MBAs do Brasil usam cases de Harvard, Oxford, Stanford.

Será que não temos, como país, nada a oferecer?”, pergunta Paulo Resende, da Fundação Dom Cabral, centro de desenvolvimento de gestores e executivos cujo campus fica em Nova Lima, Minas Gerais. No Brasil, há também a reclamação sobre a localização dos cases. Quando Lívia Queiroz, de 31 anos, líder da equipe de comunicação em serviços da IBM, desistiu do curso de MBA, esse foi um dos motivos.

“O curso era muito bom, mas muitos casos eram estrangeiros e ficavam distantes da minha realidade.” Conversar com o coordenador do curso e com ex-alunos é uma forma de verificar a metodologia utilizada. Fique atento à atualização. Algumas escolas brasileiras estão repensando certas disciplinas em seus currículos — e isso pode fazer a diferença em sua carreira no futuro.

 


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