O plágio e sua punição: questão cultural

Plágio.
Este é um tema que faz parte do cotidiano dos educadores. Me preocupo sempre em mostrar aos alunos a gravidade de cometer esse ato e as questões acadêmicas que envolvem o plágio, por isso, separei essa matéria que fala sobre o plágio e a questão cultural que o envolve.

Gravidade de cometer plágio e sua punição é questão cultural, explica professora da USP

“O plágio de trabalhos acadêmicos, que pode ir da cópia de alguma citação sem referência à cópia de um trabalho completo, pode ter significados diferentes de acordo com a cultura, conta a professora Elizabeth Harkot de La Taille, da FFLCH-USP (Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo). “Na cultura chinesa, por exemplo, copiar um modelo se inspirando nos grandes nomes é algo muito bem visto, enquanto no Ocidente, copiar é algo proibido”, diz.

O país mais severo em relação a cópias são os Estados Unidos. Lá, são bastante difundidos softwares que auxiliam os professores a detectarem plágio nos trabalhos e, quando ele ocorre, é visto como crime. Aqui, esses softwares são menos usados e, segundo Elizabeth, copiar trabalhos ou publicações não tem o mesmo caráter de crime que tem nos EUA. “A cultura do jeitinho colabora, infelizmente, a tender a ver o plágio como algo que não seria tão grave. O ‘jeitinho’ é sempre visto como um mal menor”, diz.

Na USP, conta a professora, as formas de se detectar o plágio e as punições variam de acordo com o professor e a faculdade. “Depende, em primeiro lugar, da sensibilidade do professor de perceber que tem algo estranho ou que ele conhece. Podemos detectar estranhezas, como a diferença de linguagem em trechos do texto”, diz.

Já na Suécia, o plágio é visto não como uma infração, mas como um problema de aprendizagem. Segundo a professora, uma vez que a honestidade é um valor respeitado pelas pessoas, a cópia ou plágio é negativo, mas é porque quem o cometeu não irá aprender. “Aqui, a honestidade fica mais no discurso. A desonestidade, no fim, é valorizada. No dia-a-dia, a gente vê que as ações são pautadas sempre no sentido de tentar burlar as regras, de fazer o errado quando ninguém está vendo”.

Elizabeth dá aulas de redação acadêmica em língua inglesa, e aponta a compra de trabalhos como outro problema em que, diferentemente do plágio, é mais difícil de se comprovar do que a fraude. “Aconteceu algumas vezes de eu receber trabalhos maravilhosos de alunos que eu sabia que tinham dificuldades. Eu tentava procurar trechos no Google mas não achava nada. Fica sempre aquela coisa, ‘será que ele comprou?'”, conta.”

Ana Okada
Em São Paulo

Disponível em UOL Educação.

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